terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A Árvore


Se eu pudesse



Se eu pudesse voltar o  tempo

Te trataria melhor

Te amaria melhor

Te deixaria viver

Para espalhar tuas sombras

Entre flores e passarinhos

Pintassilgos e sabiás



Tuas folhas cairiam

Tuas sementes brotariam

Um tapete de jardim



Se eu pudesse voltar o tempo

Não sairia de lá

Pra ver crianças sorrindo

Nas manhãs ensolaradas

O que não acontece mais



Se eu pudesse voltar o tempo

Uma outra nasceria

Para em teu lugar ficar

Uma árvore bem verdinha

Cheia de frutos maduros

E uma rede pra balançar                          (  Dalva Gianello)

                                                          






"V I D A"


VIDA



Com a cabeça dentro do poço

Pude provar o sabor do meu medo

Escuro, terra,  podridão

Reflexos coloridos nas águas

Pavor da escuridão

Tudo são trevas e fétido é o cheiro

Que passa pelas minhas narinas

O cão late e puxa minhas mãos

Seu pêlo encharcado que abraço no peito e o grito

Fora do poço, respirar à superfície da luz.



Dalva Gianello-2012

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Palavras


Jogo de palavras



Nas páginas brancas jogo palavras

Delas ouço a música

Indecifrável melodia

O céu está azul



Gosto quando escrevo e dou significado às palavras

Que dá vida a elas

Tento decifrar e incendiá-las para que  se espalhem

Numa devastação silábica



Se as frases perdem sentido, não importa

O que importa é o nome das palavras

E os lugares onde elas estão.



Jogo as palavras como jogo as cores

Transformá-las em certeza

Lapsos que ficam no coração



Atiro palavra contra palavra

Como se fossem objetos que se jogam

Numa luta desenfreada



Recolho pedaços, adjetivos,

Verbos e advérbios

Para que só as palavras indiquem

Ou fiquem onde estão



Destaco folhas, incendeio  palavras

Ar sêco do verão

Terra, água

Paisagem negra queimada



Dalva Gianello/2012






domingo, 26 de fevereiro de 2012

Tsunami literário


Tsunami Literário





A primeira coisa que salta aos sentidos de quem entra num hospital é o cheiro. Em pacientes  recebendo tiazidas, podem ocorrer reações de hipersensibilidade com ou sem história de alergia ou asma brônquica.

Já sei todas as noticias, li o jornal pela manhã. Eles pensam que enganam quem?  A mim é que não!

Sem a Bíblia do Rei James, Obama não teria dado o que é de certo modo a cor profética de sua ascensão ao poder.

Mesmo hoje, ele não descansa. Enquanto os atores estão atuando, observa as cenas de pé, do canto da platéia, quase como se quisesse tomar parte do espetáculo.

São as máfias dos remédios, dos equipamentos, dos funerais, dos falsos atestados, dos desvios de verba e de tudo mais que adeja como abutre por cima da saúde pública. Pensando bem, nada aqui muda.

O barco seguiu costeando, sem que os selvagens papuas da ilha dessem sinais de vida.  Os homens estão indignados. Esses cachorros já criaram problemas demais para a gente, dizem eles. Basta. Desta vez, devíamos destruir o Paquistão completamente.

E haverá sinais no sol, e na lua, e nas estrelas, e na terra consternações das gentes pela confusão em que as porá o bramido do mar, e das ondas.

Passará o céu e a terra, mas  minhas palavras não passarão.



( Trechos colados  de jornais, romances, bíblia, bula de remédio

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Enviando flores abertas





Paisagem Sonora



Indícios de espaço,silencioso e vazio

Música no ar

Braços envolventes, quentes

Luz no Palco

O corpo cai entre folhas desordenadas e caladas

Miúdas, difusas, descontentes



Som de piano, toque de dor

Novamente a luz

Rola o corpo,

Rola a Dor

Pés esvoaçantes

Mãos estonteantes

Silêncio...

Escuridão...



Dalva Gianello

11/05/2011